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sexta-feira, 11 de março de 2016

Decisões

Não quero a monotonia da minha vida pouco atribulada, pois a cada dia que passa sinto-me mais desgovernada, sem saber o que quero ou sequer para onde vou, vou por trilhos desenhadas seguindo o caminho em que estou. Por isso é mais um dia que se passa sem sentido, pois tudo aquilo que quero é o que não tenho comigo, continuo à procura do que me possa fazer feliz, sem me aperceber que a felicidade é aquilo que nunca quis. Por muito que a procure posso nunca a encontrar, sem ver que dentro de mim é que ela deveria estar, no entanto sinto este vazio enchendo-se em mim, pois por muito que eu queira não me conheço tão bem assim. Espero então pelos rótulos sem sentido que me dão, de quem pensa que me conhece mas que nunca me viu o coração. Os anos vão-se passando e os amigos vão-me deixando para trás, mas não é por isso que choro, só aceito o que a vida me traz. Por vezes não compreendo porque é que tem de ser assim, quando gostas das pessoas mas elas já não gostam de ti, continuas a remar à espera de encontrar novos portos de abrigo, até te deixarem outra vez e ficarem apenas contigo.
Não faz mal, é apenas parte de mim.
A culpa nunca foi do destino mas sim daquilo que eu escrevi.

sábado, 13 de junho de 2015

Para sempre


Sento-me enquanto observo tudo de passagem.

Será sossego,  miragem ou paisagem?
Tudo me atormenta,
Não passo de nada no meio de tudo
E de tudo no meio de nada
Parada.
Sento-me no desconforto do meu esforço
Penso que podia esforçar-me mais um pouco
Enquanto tiro a água do poço
Para não me deixar morrer de sede.
Mistérios assombram-me a cada curva
Deixando a minha integridade nua,
Enquanto o que desejo não chega
Parece que não há cura.
Penso, repenso e esqueço
E por muito que queira não desço
Da altura em que me deixaste.
Meteste-me lá mas não me tiraste.
Deixas os contrastes à flor da pele
Bates-me com flores e chamas-lhe mel...
Na tua magia dissipo-me calmamente
Contando as estrelas que perco no presente
Enquanto não as observo,
Limitando-me a olhar.
Mas já estou habituada aquilo que me consome
Não por falar já que ninguém ouve,
Idolatrando o que não te mata
Que pelos dedos me escapa
Porque não me sinto,
Perdida no labirinto
Que é esta encruzilhada
Uma vez fica, outra vez malha.
Todos os dias minto
Não aos outros mas a mim.
Enfim...
Pensando em não pensar,
Tentando flutuar,
Percebendo o que nos une.
E assim sento-me e penso
Que nada é para sempre
E que para sempre é nada.



Miragens deslavadas,
Ideias desprezadas,
Maiorias contadas,
Histórias inacabadas,

Ou nunca começadas.



Assim sou.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

"Se amar for uma loucura, sou louca sem cura"

   Começo por pensar nas mil e umas maneiras de te explicar como me sinto quando estás próximo de mim. Penso em como te sinto profundamente, até na escuridão. Como conheço o teu toque, o teu cheiro, o teu riso e a tua vibração. Como consigo desvendar como te sentes só por estar ao teu lado, sentindo o que tu sentes, a tua dor é a minha dor, as tuas dúvidas são as minhas, o teu amor é o meu, a tua felicidade é a minha, mas acima de tudo, a forma como me sinto em harmonia com o mundo simplesmente por te tocar, não só fisicamente mas de todas as formas que sei que te toco. Isto pode parecer cliché, mas é como se fossemos duas peças do mesmo puzzle que há tanto ansiavam esta união um tanto estranha e complexa, parece que só por estarmos juntos mudamos o mundo aos poucos e poucos, com os nossos corações recheados de amor. Tudo faz sentido quando estou do teu lado e quando não estou é como se as cores ficassem menos intensas e coloridas, o mundo não parece tão bonito sem ti a emoldurá-lo. Todas as palavras de todas as linguagens do universo nunca seriam suficientes para te explicar o bem que me fazes e de como eu sinto que somos especiais e que estamos aqui juntos para marcar a diferença.
   É como se eu vivesse na minha pequena bolha lunática, porque não gosto deste mundo e por isso crio o meu para me proteger de todos os males, e tu chegas com toda a tua convicção e realismo e rebentas essa bolha e levas-me para o teu lado e dizes que tudo vai ficar bem porque estás ali ao pé de mim para me proteger de tudo e de certo modo até consigo tolerar o "mundo real" assim. Mas de vez em quando convido-te a entrar na minha bolha, mostro-te a forma como vejo as coisas e passo a ser totalmente transparente para ti, digo-te como tudo pode ser bonito e positivo se realmente quiseres que assim seja.
   Não sei o que o futuro nos reserva, mas sei que podemos aprender com o passado para aproveitarmos o máximo deste presente, e o presente que te dou sou eu 100% dedicada a ti de corpo e alma até ao dia em que não me queiras, e mesmo quando não me quiseres quero que saibas que vou estar a sorrir para a Lua desejando que sejas feliz e que te encontres na paz que mereces, em segurança e harmonia. Só sei que tens dentro de ti o poder de mudar o mundo. Agora cabe-te a ti decidir de que maneira é que o vais fazer e com que grandiosidade, porque sabes bem que podes mudar o mundo de alguém ou o mundo de todos, mas isso está apenas nas tuas mãos. Eu gostava de estar ao teu lado para te guiar da melhor maneira possível para atingirmos essa meta. Juntos somos grandes, e é por isso que a vida insiste que continuemos juntos, ambos fomos postos neste pequeno planeta azul para fazer a diferença na vida das pessoas à nossa volta, eu sei que já mudaste a minha e eu a tua, agora estás pronto para passarmos à próxima fase? Vou estar do teu lado para te relembrar as vezes necessárias que é possível e que podes contar comigo para tudo, pois só os loucos é que conseguem mudar o mundo e o que somos nós senão loucos?
  Não sei se isto faz algum sentido para ti mas por enquanto tento desfazer os nós dentro de mim esbanjados nestas linhas tentando que de alguma maneira te sintas um pouco mais amado, querido e compreendido quando não estou por perto, porque quando estou não preciso de palavras para me expressar, basta olhares nos meus olhos e verás isto tudo e muito mais, mundos e universos e galáxias a chamarem por ti para te aninhares nos confins da minha alma mais uma vez, só mais uma vez.



"You don't have to be crazy to be in love.
But it helps."

 

terça-feira, 10 de março de 2015

Marés Instáveis

Agarro em tudo o que é teu
E ponho bem à parte, de lado.
Com o tempo tudo se corroeu
E o que era certo tornou-se errado.

Deixei-te dançar nas minhas curvas,
E abri-te os portões da minha mente.
Descobriste as minhas inspirações, nuas
Mas não te levaste pela corrente.

Quando a bandeira estava encarnada,
Tinhas medo de mergulhar...
Encostado à parede esperando a espada.
Receavas comigo flutuar.

Eu não passo de um Oceano,
Cheio de vida, cor e Mar.
Mas tu com tanto medo do dano,
Não conseguias ver, só olhar.

Porém quem nada por gosto não cansa,
E muita gente gosta de nadar.
Como sou o Oceano tudo dança
E tu continuarás a naufragar.

segunda-feira, 2 de março de 2015

desabafo lunar

Quando começo este poema
Só me apetece sorrir
Porque penso em ti
E em como os teus olhos têm o universo.
Esses olhos, enormes, profundos e misteriosos,
Perseguindo-me nos meus pensamentos e sonhos
Como se me convidassem para ir descobrir o céu
E também as estrelas que brilham no céu
E aquelas que só brilham nos teus olhos.
Oh... Esses olhos,
Que me permitem viajar mais um pouco
No conforto do meu desconforto
Simplesmente à espera de um sopro
Para se abrirem mais, sem esforço.
Se soubesses como me atormentas
Cada dia de maneiras diferentes,
Como se fosses um pequeno mundo,
E todos os dias descubro algo novo
E todos os dias tropeço mais um pouco
Nas redes que vais deixando para me apanhar,
Que tu nem sabes que as deixas
Mas que eu vou tropeçando e tropeçado de bom gosto
Porque tu não és um poço
És um oceano cheio de espécies que nunca vi
E com cada praia mais linda que a outra
Como eu gosto de livros
E até agora és o mais difícil
Não por seres difícil
Nem fácil
Mas por seres um livro diferente
Um livro que começa no 10.º capítulo
Depois mostra-te o 7.º
Pelo caminho passa no 15.º
E não tem princípio nem fim
Como tudo, não passa de um círculo.
E sempre te perguntarás
Porque é o que livro não está por ordem
Foi feito para ser imperceptível, incompreendido, indefinido
Mas toda a gente lê esse livro
E toda a gente quer desvendar o mistério por trás das tuas linhas
Mas ninguém consegue.
Porque elas são só e exclusivamente minhas
Tu é que ainda não sabes.

ainda.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

carta para o ex

  Olá. Já não te escrevo à algum tempo mas não penses que é por isso que me esqueci de ti, ou de nós. Tenho muito para te dizer mas custa-me saber que estas linhas nunca vão encontrar a pessoa a quem a elas se dirigem e isso torna este esforço um bocado desnecessário. Por outro lado não o faço por ti mas sim por mim, para me sentir um pouco mais perto daquilo que perdi. Se tiveres a dormir sonha comigo, só por hoje e deixa-te levar por uns minutos. Sonha com todos os momento bons que passámos e quando acordares deixa a nostalgia e a saudade percorrerem-te e sente durante meros segundos tudo aquilo que eu senti nestes últimos meses. Às vezes na minha inocência ainda acredito que te esqueci, ou pelo menos é o que me tento convencer... Mas depois caio na realidade e ela entristece-me, não por ainda gostar de ti mas sim por não gostares de mim. Pelo menos já aceitei o facto que não te posso ter, mas deixa-me dizer-te uma coisa; sempre te mantiveste demasiado fiel às tuas ideias. Não que isso seja uma coisa má, mas por vezes temos de nos pôr no lugar das outras pessoas e perceber porque é que elas estão a sentir e o porquê de se portarem de certa forma. Às vezes achamos que o nosso pensamento está correctíssimo e sem falhas, e de certo modo até pode estar, mas isso não quer dizer que o da outra pessoa está errado, simplesmente é diferente do nosso ponto de vista. Sempre gostei desse aspecto em ti, apesar de ser um defeito, também é uma qualidade e é muito bom ser teimoso e defender as nossas ideologias. Eu própria sou assim. Uma vez li num livro que só amamos as pessoas porque nos revemos nelas e é isso que nos faz gostar delas. Nesse mesmo livro dizia que as odiamos pelas mesmas razões, porque vemos as partes que não gostamos em nós nelas e isso irrita-nos profundamente. Digo-te que já te amei e já te odiei por isso mesmo. Mas mesmo depois de te odiar perdoei-te. Porque é que te odiava perguntas tu?
  Eu comecei a odiar-te quando percebi que não acabámos por culpa minha. Eu acreditei durante imenso tempo que era a culpada do fim do nosso amor, e isso martirizou-me, consumiu-me e roubou-me muita vitalidade e esperança, enchendo o meu coração de culpa e revolta. Mas depois tudo fez sentido, e como peças de puzzle a encaixarem-se umas nas outras tive uma visão. Nessa visão estavas tu a sorrir como nunca te tinha visto, de mãos dadas com uma rapariga cuja cara era distorcida e pouco visível. Ao pescoço levava um colar com o nome Roxy. Só de pensar nesse nome o meu coração aperta. Sempre me fizeste acreditar que não, mas eu no fundo não passava de um remendo de uma relação falhada com o teu grande amor. Nunca me considerei burra, muito menos ignorante e foi por isso que foi para ti tão fácil dares-me a volta. Eu na minha juventude (sim, juventude porque já nos conhecemos à quase 2 anos e meio e digo-te que era uma pessoa completamente diferente daquela que sou agora) deixei-me levar pelo lindo conto de fadas que estávamos a viver e nunca mais pensei nela. Tinha ficado guardada num recanto da minha mente intitulado "NÃO MEXER". 
  Até ao dia em que sonhei com ela.  
  Lembraste? Estava no comboio a ir para o Pinhal Novo e liguei-te. Contei-te o meu sonho e perguntei-te se ainda pensavas nela. A tua resposta foi "estava a pensar mandar-lhe um mail para saber como ela estava". Tive vontade de chorar ali, mas lembraste do que te respondi? "Se achas que é isso que deves fazer então fala com ela amor". Não me lembro muito bem do resto da conversa mas lembro-me bem do que senti nesse dia. Lembraste que me perguntaste como era a voz dela? Eu respondi-te que era grossa só para ver o que dizias e tu respondeste que a voz dela era fininha. Isso assustou-me imenso porque a voz da rapariga que tinha falado comigo ao telefone no sonho tinha uma voz tão fina como a de um desenho animado. E isso só veio confirmar os meus medos e como os meus sonhos não se enganam, só me alertam. Mas queres mesmo saber o que me deixa mais triste? É saber que se ela hoje falasse contigo e te pedisse para voltarem acho que nem pensavas duas vezes.
  Nunca senti ciúmes dela. Aceitava-a como parte do teu passado e como, digamos assim, "base" da nossa relação, mas preferia não pensar nela nem dar-lhe importância. Tu foste a primeira pessoa que amei a sério e por isso dei-te coisas que nunca mais poderei dar a ninguém e tu vice-versa. A diferença é que eu esperei imenso tempo por ti e quando nos começámos a conhecer melhor começaste a fazer sentido, especialmente depois de me convidares para o baile. Como vai ser daqui a 10 anos quando olhares para as fotos do baile e me vires ao teu lado com um ar constrangedor mas ao mesmo tempo eufórico? Vais ter saudades? Vais ter arrependimento de não ter lutado? Ou arrependimento de teres tentado? Vais ficar feliz pelos momentos bons? Ou triste pelos maus? Ou ambos?
  Gostava imenso de o saber. Provavelmente vai-te ser indiferente, mas eu sei que daqui a 10 anos quando olhar para as fotos do baile vou simplesmente olhar para os teus olhos e estar feliz, porque naquele momento estavas feliz. E depois vou lembrar-me dos momentos bons. E depois dos maus. E depois fico triste e fecho o álbum mais uma vez.
  Eu lutei imenso Ricardo, tu sabes disso. Lutei por mim, e lutei por ti até não ter mais forças, mas foi depois de ter lutado tanto que percebi que a culpa não era minha por me teres deixado de amar.
  Ela esteve sempre presente dentro de ti, mesmo apesar de eu te ter dado coisas que ela nunca te deu, e amado como ela não te amou, e tu não deste valor porque não foste homem para suportar as minhas más marés. Mas para ela foste. E lutaste por ela, e lutaste, e lutaste, e lutaste, e lutaste até não teres mais nada para dar. Já chegaste a esta relação cansado e derrotado. Eu, cega de amores, não vi isso. Hoje pergunto-me porque é que não tinha percebido isso mais cedo. Custou-me mas percebi, e apesar de ainda te querer, já não te quero. Acho que mereço alguém que me ame como eu te amei, profunda e cegamente, era capaz de te seguir para qualquer lado, mas tu não soubeste dar valor.  No fim de contas eu perdi alguém que não me amava, mas tu perdeste alguém que te amava imenso. Agora só espero que quando te voltares a apaixonar os papéis não se invertam e sejas tu a pessoa que sai magoada por gostar demais. 
  Espero que encontres a tua felicidade e quero que saibas que vais ter sempre um lugar no meu coração, mas com sentimentos muito mistos e indefinidos.
  Até um dia.


Luciana Pacífico

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Adeus é muito forte, prefiro até à próxima

   As lágrimas já secaram e encarei a verdade: acabou.
   Por muito que eu quisesse que resultasse, quando não dá, não dá. Não vou esquecer os bons momentos que passámos e não me vou recordar dos maus. Sabes onde tou se me quiseres encontrar, mas eu não vou andar atrás de ti, pois se o passarinho quer voar, deixa-o ir, não é bonito prender as coisas que são livres, como eu. A diferença é que eu não sou um passarinho, eu agora sou uma fénix que renasceu das cinzas, ainda mais forte que antes. Mudei muitas coisa em mim por causa de ti, mas mesmo assim todo o esforço que fiz não foi suficiente para te agradar, e apesar de eu dizer vezes sem contas quais eram as tuas falhas, tu não as quiseste mudar, mas não havia problema porque eu aceitava-te como eras... A vantagem de teres namorado com uma escritora é que nunca vais ser esquecido, haverá sempre um espaço no meu coração para ti e aos meus olhos tu és só perfeição poética.
   O que mais custa é saber que os nosso lábios não se vão tocar mais, e devo desde já referir que quando nos beijávamos eu sentia os meus pés a deixarem o chão, conseguias agarrar na minha asa e voávamos os dois por aí, por mundos distantes e coloridos à descoberta um do outro vezes e vezes sem conta.
   Mas faltava algo na nossa relação: paciência e compreensão pelas diferenças que tínhamos, e talvez quando tivermos com outras pessoas vamo-nos lembrar do que correu mal connosco e não repetir os mesmo erros; isso também é algo que me custa imenso, imaginar-te nos braços de outra pessoa, mas se realmente o que nós tínhamos estagnou, a vida vai ter de seguir o seu curso não é?
   Não te esqueças do quanto te amo, apesar de tudo não guardo ressentimentos e espero que encontres a tua felicidade, mesmo que não seja comigo, em promessas despejadas da boca para fora sem intenção de serem cumpridas.
   Voa passarinho, voa, mas se quiseres voltar sabes onde fica o teu ninho.

Sempre tua, Luciana Pacífico

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

apagão

A luz apagou-se outra vez, o quadro é como eu, não aguenta a pressão. Com ela apaga-se o meu coração. Cada vez que a escuridão assombra a minha casa eu lembro-me de ti, da forma como me deste luz durante tanto tempo e de repente apaga-se tudo que alguma vez teve esperança. Palavras não conseguem expressar o que é a escuridão, pois ela simplesmente está ali, inexistente sem nunca lhe poderes tocar e o silêncio ecoa com a dor do vazio. Vazia, é assim que me sinto; sinto-me sem casa, sem lar, sem porto de abrigo, passei a ser uma réstia de uma memória que um dia foi algo mas que tu não sabes se aconteceu ou foi um sonho. "Nada é em vão", repito mais de mil vezes para mim a gritar sem fazer um único som, perdida no tempo, no mundo, em ti.

sábado, 30 de novembro de 2013

5 am

É às 5h da manhã que pensas na vida. Que estás sozinho e compreendes o silêncio das palavras no seu pleno. Pensas no bom e no mau que a vida te trás, pensas no futuro também, pensas nas voltas que a vida dá e pensas no karma. Podes pensar em milhões de coisas, mas eu só penso numa, penso em ti. Penso na maneira como olhas para mim quando não existe mais nada à nossa volta. Penso no quanto uma pessoa me consegue fazer feliz e penso no quanto apaixonada estou. Penso que tenho o mundo nas mãos e isso trás receio, receio que um dia o meu mundo pode não estar lá e assim o que será de mim? Penso que não consigo expressar a energia que exala de mim de um modo tão transcendente e que não deixa ninguém impune. Quando me olho ao espelho não me vejo, não vejo a pessoa que era: rodeada de escuridão, sozinha. Não, agora olho no espelho e consigo ver a luz que sai do meu peito e que ilumina tudo à minha volta. Olho para os meus olhos e eles brilham, eles expressam a felicidade, expressam o que é amar e ser amado. Nunca vou encontrar palavras para descrever o que sinto, é demasiado profundo, mas se há algo em que me consiga basear para conseguir explicar uma milésima daquilo que eu sinto é que me corres nas veias, corres-me na vida, corres em mim e algo assim nunca nos pode deixar indiferentes.

Posso pensar em muitas coisas às 5h da manhã, mas tu és a minha preferida.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Touch

Não são precisas palavras,
Nem sequer descrições,
Disseste que me amavas,
E senti logo as vibrações.

Tudo faz sentido,
Nos nossos mundos à parte.
Às vezes não és compreendido,
Mas para mim és como arte.

Pois aprecio, olho, revejo, e sinto..
Todos os dias na minha mente:
Aquilo que eu pressinto,
Tu, estando presente.

Eu nasci escritora,
Nasci para te descrever;
E a essa alma sedutora
Que de tudo me faz esquecer.

E a minha alma nua,
Revela-se com o teu sentir.
Sabes que eu sou tua,
E não há mais para definir.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Olhos

Olhos castanhos que mesmo calados dizem tudo. Olhos que te penetram a alma, o ser, e as forças. Olhos que te fazem derreter por dentro e olhos que ao mesmo tempo te dão frio. Olhos profundos como a noite, e brilhantes como o dia. Olhos que te fazem pensar e olhos que te fazem vaguear pelo futuro. Olhos carentes, olhos abandonados e olhos sem direção. Olhos com truques e manhas. Olhos com calor e paixão. Olhos com tranquilidade, olhos com ambição, olhos com poder. Olhos lindos, olhos grandes, olhos castanhos. Olhos que são teus, olhos que são meus, olhos que são do mundo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mente solitária

Procuras a chave da minha mente
Enquanto olhas para mim sem olhar
Sentindo a quietude do presente
no toque do meu falar.
Será isto realidade,
Ou não passa de invenção?
É um momento de verdade
Em que se solta o coração.
Mas tudo está pendente
No que tens para me dizer
Será que os teus olhos são de serpente,
Ou só estão contentes de me ver?
Um coração partido
Encontra-se no fundo do meu ser
Será que está perdido?
É o que tu tens de perceber.
Mas nunca te esqueças
que só se vê com a mente
E mesmo que permaneças
nunca vais perceber a minha, certamente.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Bom dia amor

Passado tão pouco tempo ela ainda não acreditava que já estava a acontecer tudo outra vez. Será que já passou muito ou pouco tempo? As teorias do tempo e dos minutos, horas e segundos não faziam muito sentido na cabeça dela, era como uma magia negra que ela não queria interpretar de todo, longe, muito longe. As borboletas na barriga apareciam cedo de mais, ela sentia-se como o vento, como se as estrelas à noite brilhassem só para ela, como se o sol de Inverno fosse feito só para ela, como se a neve caísse só para ela, e ela quando estava assim pensava que duraria para sempre, que tudo era infinito,  e digo-vos, isso é amor... O segredo da felicidade não estava em roupas caras, nem em perfumes, muito menos no dinheiro, ou na bebida, ou no tabaco, pois para ela ser completamente feliz só precisava de uma coisa: dele. Será que é triste o coração dela bater tão forte, o estômago encher-se de borboletas e o cérebro encontrar-se num estado de divagação por alguém que nem sequer é dela? É sempre assim, uma seta no escuro porque nunca temos a certeza de nada, e se por ventura ela tiver a sorte de ser algo recíproco pode ser que um dia destes ela acorde, abra os olhos muito devagar por causa da claridade e ele esteja apenas à distância de um braço,  ela perde-se na beleza incomparável que ele possui e sente-se tão pequena no mundo aproximando-se para lhe dar um beijo e aí ela vai ter a certeza que isso é felicidade e que não precisa de mais nada no mundo, só dele.