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domingo, 29 de maio de 2011

é sempre mais do mesmo



Ligo a torneira e deixo a água correr. Volto passado cinco minutos, agarro no gel de banho e começo a espalhar pela banheira para criar espuma. Entro, e sinto a água escaldante a passear pelo corpo. Meto a cabeça debaixo de água, para ver se ela se cala, mas ela grita-me "és mesmo estúpida", "não acredito como não viste mais cedo", "hás-de ser sempre nada". CALA-TE!
Já não suporto a voz da verdade. Sinto a água a entrar-me pelo nariz, e o meu corpo debate-se para vir ao de cima, mas eu não deixo. Sinto a água nos pulmões, fico sem ar e apago-me.
Abro os olhos: "onde estou?". a minha cabeça roda para a direita, roda para a esquerda para descobrir o que era aquele lugar. "Luciana" o nome dele chamava-me, e eu seguia a voz. "por aqui" aquela voz doce que tanto me encantou, e que agora me irritava. Por mais que quisesse evitar seguia-a. De repente fica tudo escuro e o chão desaparece: sinto-me a cair dentro do abismo por ele criado.
"mas ainda nisso?" perguntava a voz na minha cabeça. "sim, esquecer é difícil", dizia eu.
"eu sei" respondia a voz que nunca me ajudava em nada.

"Something's getting in the way
Something's just about to break
I will try to find my place (...)"
Breaking Benjamin - Diary of jane

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

o teu EU



E se um dia ao acordar
Tudo o que é teu
Se evapora no ar
E perdes o teu EU ?

Perdes a tua entidade
Desaparece o teu ser
Já não tens a tua verdade
Nem sequer o teu viver

Já não te conheces
Não tens as ligações
Ninguém ouve as tuas preces
Nem vê as tuas emoções

Ficas sozinho no mundo
Com a tua Solidão
Perdes tudo num segundo
E ninguém te dá a mão

E se um dia ao acordar
Tudo o que é teu
Se evapora no ar
E perdes o teu EU ?